11.7.13


Apaixonada por palavras - Paula Pimenta

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Assim que eu vi esse livro na estante da livraria, já sabia que ia adorar. Só o título já me fez sentir uma identificação enorme com a escritora, Paula Pimenta - a autora de Fazendo meu filme e Minha vida fora de série, e assim que o abri dei de cara com a frase "sou geminiana". E sim, eu também sou geminiana e sou dessas pessoas loucas por signos, então resolvi comprar!



 É um livro de contos e crônicas, e de tanto que gostei quis postar pra vocês um texto lindo maravilhoso que dá nome ao livro:

Apaixonada por palavras

Odeio cantadas. Flores não me seduzem. Chocolates então, nem pensar. O que me comove são palavras.

No caminho de casa, passo por uma pista de cooper onde têm barras e aparelhos de ginástica. Em qualquer hora do dia ou da noite, rapazes de se fazer inveja aos galãs globais puxam ferros, correm mais do que para tirar a mãe da forca, levantam pesos, malham até o dedão do pé. Ao lado deles, garotas soltam suspiros para cada flexão de braço, lançam exclamações para cada bíceps trabalhado, fazem votação para definir qual peitoral é o mais sarado. Deixo tudo para elas. Tais rapazes não merecem um segundo olhar meu. Para mim, músculo em excesso é inversamente proporcional à inteligência.

Fim de semana. Depois de muita insistência, aceito o convite das minhas amigas para ir dançar, mesmo sabendo que me arrependerei. Lugar dos infernos. Quente, barulhento, enfumaçado. E ainda por cima tenho que escutar aquela mesma frase: "E aí, gata, vem sempre por aqui?". Fico na dúvida entre vomitar, sair correndo ou fingir que sou surda.

Outra situação: O moço é lindo. Toca violão. Minha família gosta dele. Já estou quase convencida de que é minha alma-gêmea. E então ele me manda um cartão: "Não me canço de te olhar". É, querido, vai ter que olhar para o outro lado. Cansada estou eu de quem não sabe escrever nem em português.

Mas por que eu sou tão viciada em palavras? Por ter crescido lendo enquanto minhas amigas brincavam de pique-esconde? Por minha primeira paixão ter sido o Cebolinha, nos gibis da Turma da Mônica? Por amar poesia desde que nasci? Não sei. O fato é que me desperta curiosidade quem sabe escrever o que pensa.

Garotos que escrevem bem têm um charme diferente. Suas palavras me acariciam de tal forma, que se tornam vitais para minha sobrevivência. Se eles têm tanto cuidado com a escrita, imagine o carinho que teriam comigo... Ah, os homens que sabem escrever! Alguns conseguem ser tão sinestésicos, que chego a perceber a voz deles por entre as linhas.

Os que mais me impressionam são os que adivinham meu pensamento, mesmo sem me conhecer. É indescritível a sensação de ler um texto e me identificar totalmente com as palavras do escritor. É como se ele tivesse roubado a ideia que eu ainda não havia tido, mas que já existia em mim. Emocionante perceber, na medida em que meus olhos vão descendo por sobre o texto, que existe alguém que pensa exatamente como eu.

Infelizmente, a recíproca não é verdadeira. O sexo masculino, no geral, ainda se sensibiliza mais com um corpo esculpido do que com a forma que as escritoras dão às suas frases.

No dia em que eu encontrar um que se importe mais com o que eu escrevo do que com a minha embalagem, eu me caso. Desde que a proposta seja feita por escrito. E que por trás daquelas palavras, existam óculos em vez de músculos.


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18.6.13


Por não estarem distraídos

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dear insanity

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Texto de Clarice Lispector

21.5.13


Aos meus maiores amores

2

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Alguém que me faça rir, quando o mundo me fizer chorar. Alguém que me olhe nos olhos. Alguém para estar sempre ao meu lado quando eu precisar. Alguém que me escute. Alguém que me entenda, ou finja que me entende. Alguém que sacrifique uma festa legal ou uma saída com os amigos pra ficar comigo, para me dar colo e cafuné de vez em quando. E para quando eu me descontrolar em meio às minhas oscilações de humor, alguém para me acalmar. E nos momentos mais estressantes, quando parece que o mundo vai desabar sobre mim, alguém para me lembrar de não levar tudo tão a sério. Ou quando meus pés saírem do chão, alguém para não me deixar esquecer de que a realidade bate à porta. Sempre.

Alguém que não vá embora quando eu pisar na bola. Porque sim, eu farei muitas besteiras. Alguém que festeje as minhas vitórias e padeça com os meus fracassos. Alguém que me faça ver o lado bom das coisas, mesmo quando tudo parecer perdido. Alguém que me irrite, me provoque e me desafie. Alguém que saiba contar piadas, mas prefira rir dos meus micos. Alguém que valorize as melhores pequenas coisas da vida e que me faça ter crises de riso incontroláveis. Enfim, alguém como você.

Obrigada por tudo. Por sempre ter estado do meu lado. Por me fazer confiar assim cegamente em você, sem medo nenhum. Pessoas assim a gente valoriza, sabe? Eu te valorizo, te amo. Não falo, e demonstro de um jeito bem torto, eu sei. Com socos, pontapés e palavrões, hahah. Obrigada, amigos.

É, eu tô falando de amizade. Esse sentimento lindo e puro, que se for mesmo de verdade, nunca vai te machucar. Amigos são esses seres mágicos que tem a capacidade de deixar nosso dia melhor só com um sorriso ou um consolo, ou só por existirem. Porque quem precisa de fadas madrinhas ou super herois, quando se tem amigos de verdade?

Esse texto é dedicado à todas as minhas amigas e amigos verdadeiros. Achei que mereciam. Muito obrigada a todos os meus anjos, meus maiores amores.

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17.5.13


Despedida

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Sabe aquela sensação de que nada vai ser como era antes, nunca mais? Pois é. Só que ainda não se decidi se isso é bom ou ruim. É sempre assim quando algo bom termina. Dá uma alegria e ansiedade enorme de começar coisas novas, de viver e ser livre. Mas também dá um aperto e angústia inexplicável. Como se a gente hesitasse entre não ir embora nunca ou fugir correndo de uma vez. Ou como quando a gente termina de ler um livro, mas não consegue sair da história. Uma angústia. Uma vontade de começar o livro todo de novo, mesmo tendo outros para ler. Outros mundos a descobrir.

Não é nem saudade, é medo. Medo de não ser capaz de seguir sozinha, medo do desconhecido, medo de sentir tanta falta do que passou que isso impeça de seguirmos em frente. É por isso que eu odeio despedidas.

Geralmente eu não me despeço. Saio de mansinho, sem avisar. E sempre tenho que escutar alguém perguntar porque eu tô "sumida". É, eu sou medrosa mesmo. Não quero que as pessoas saibam da minha fragilidade, então evito qualquer situação que exija um pouquinho de delicadeza ou sensibilidade. Antipática, é o que dizem. Grossa, chata, irritante. Coitada, acha que engana alguém com essas máscaras de durona.

Mas dessa vez eu quis a despedida, sabe? Por mais que doa e sufoque, eu quis. Afinal, era a última vez. Sem replay ou flashback. E como resistir a tentação de se agarrar ao último momento até que ele escorra entre os dedos? É horrível isso que a vida faz. Faz com que as pessoas, para seguirem em frente, precisem seguir caminhos opostos. Faz a gente ter que escolher entre duas coisas que provavelmente nos fariam bem. Droga. Será que não dava pra ter tudo sem abrir mão de nada?

Eu queria o mundo e tudo que há nele. E se para viver eu tinha que me soltar dos seus braços...

Adeus, amor.

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13.5.13


Monomania

3

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Eu queria te encontrar hoje. Te contar tudo o que tem acontecido na minha vida, te falar de mim e falar de nós. Ou só ouvir sua voz mesmo. Queria que você percebesse como eu mudei. Como estou mais inteira, mais viva sem você. Ou só sentir seu cheiro mesmo.

Queria poder te procurar a qualquer instante e dizer que sinto a sua falta, que te quero. Sem precisar ter a preocupação das consequências que isso iria gerar. Enfim, que acabasse o medo de sofrer. Porque afinal, nesse meu sonho, você não me faria sofrer. Você nunca teria me feito sofrer.

Queria pensar em como seria nós dois, se tivesse dado certo. Queria sonhar com você, ou trazer o sonho pra realidade. Queria não ter mais medo e queria que tudo fosse mais leve entre a gente. E que não fosse tão complicado assim. Essa coisa que há, que se arrasta e nos agarra, e nos desespera. E me deixa fraca e pesada. Queria que não tivesse mais dramas. Menos drama e mais amor, por favor.

Eu queria mesmo, meu bem, aparecer feliz e radiante na sua frente. E que você soubesse que não preciso de você e que estou melhor sozinha. Ou que encontrei outro amor, que seja. Queria olhar nos seus olhos com a determinação e a frieza de quem não está nem aí. E no meio do meu fingimento passar a acreditar nas minhas próprias mentiras. Porque sim, são mentiras. Não tô nada bem e você não está aqui. Não tô nada bem porque você não está aqui.

Mas sabe o que eu mais queria? Que esse texto não fosse pra você. Como todos os outros. Droga.

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