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7.4.16


Para aquecer

12

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Tô me sentindo muito sozinha. Ando meio confusa nessa sua ausência, nessa minha carência, nessa abstinência que nem é propriamente de você. É de amor mesmo. Carinho, atenção, alguém pra confiar. Coisa que você nunca foi pra mim. Eu disse que não queria te ver de novo, e mais de uma vez, eu sei. Mas perdida assim, busco apoio até no sofrimento de gostar de alguém.

Tô te escrevendo pra pedir que se lembre de mim de vez em quando. E que não me deixe aqui sozinha, passando frio e esperando qualquer atitude. Cansei das suas dúvidas e inseguranças. Já sou insegura demais e por isso não cabe mais tanto medo entre nós. Gasto toda a minha energia, minha atenção e meu coração tentando manter algo que nem ao menos sei se é mesmo real ou se faz parte das malditas expectativas que eu sempre crio e você sempre faz questão de frustrar. E me mostrar que a realidade é muito diferente da minha imaginação colorida de mulherzinha.

Eu só queria te falar que se você me quer, vem cá. Se me ama, fala. Mas fala logo. Eu preciso saber. Se você gosta da minha companhia, se me acha engraçada, se eu tenho um papo interessante, se meu perfume é enjoativo, se minha voz é irritante, se eu cozinho bem, se você gostou do filme que te indiquei, enfim, se você gostou de mim. Eu preciso saber.

Só não me deixe aqui congelando e encolhida no meu canto, onde devia ser quente e aconchegante. Me puxe pelo braço e me leve pra casa, ou pra qualquer lugar. Eu só meio que imaginei que, talvez, quem sabe, você pudesse vir me aquecer.


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24.9.15


A gente sabe de nós

6

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Era tão fácil estar do seu lado naquele momento. Tudo tão simples como se os problemas lá fora não existissem. Mas existem, ainda que estar com você me faça conseguir ignorá-los. Eu tenho uma vida própria, sabe? Eu tenho coisas pra fazer além de ir correndo te ver. Antes de você aparecer pra bagunçar tudo, eu era uma pessoa normal. Dá pra acreditar nisso? Equilibrada. Sensata. Ou pelo menos eu tentava ser. Agora nem tento, nem disfarço o meu jeito de menina perdida sem você. Tô cada vez mais desastrada, estabanada, esquecida, distraída, derrubando tudo, tudo dentro de mim, você me desmontando e me desmoronando assim.

Por exemplo, hoje acordei e olhei pro relógio. Já estava atrasada o suficiente para as mil tarefas na minha agenda. E sabe o que fiz? Virei para o lado e dormi de novo, só pra poder tentar continuar sonhando com a gente. Mais tarde quase me perdi nessa cidade enorme cheia de pessoas apressadas - tão diferentes de você - porque estava distraída demais ouvindo aquela música que traduz a nossa relação. Eu andava tão devagar, tão fora do ritmo da metrópole. Eu estava era no nosso ritmo.

Eu sei que não posso ficar te ligando sempre que me dá na telha, eu sei. Também sei que o melhor é continuar fingindo que não tô nem aí se você liga ou não, que pra mim tanto faz, porque tenho um medo enorme de que você se assuste e fuja como já fez tantas vezes. Você sabe que a gente nunca vai ter o que as pessoas chamam de relacionamento sério, você sabe. E sabe que eu não preciso dizer o quanto gosto de você, já que isso está obviamente estampado no meu sorriso ao te olhar. 

Eu não preciso te dizer o quanto acho o máximo que os nossos signos combinem tanto. Ou do quanto eu amo quando você não faz a barba. Ou quando você some e reaparece da minha vida com uma naturalidade incrível. E do quanto eu fico me achando a garota mais sortuda quando vem me buscar de carro. Seria loucura admitir que gosto até do modo que você fuma e mais ainda quando sopra a fumaça pra longe de mim? Seria sim. É por isso que eu nunca vou precisar te falar essas coisas. Você sabe, eu sei, a gente sabe. A gente se entende tanto que prefere não admitir nada, sentimento nenhum. Vamos continuar fingindo que somos apenas amigos com benefícios, é melhor. Vamos ficar embriagados e conversar sobre todo tipo de assunto banal. Vamos fazer besteiras e morrer de rir. E depois, o silêncio. Nada de "eu te amo" ou "preciso de você". Um olhar e a gente sabe. É no silêncio que a gente se entende.

3.8.13


As palavras que você deveria ter dito

0

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Era um domingo à noite qualquer, entendiante como todos os outros. Até que ele apareceu para salvá-la. Assim do nada, como o príncipe que não era. Buzinou em frente a porta da casa dela. Na verdade, ela não queria mais falar com ele. Isso traz problemas e eu quero paz, pensava. Mas era dessas que tem o defeito de não conseguir ficar com raiva de ninguém. Muito menos dele, muito menos quando ele lhe dizia aquelas bobagens ao pé do ouvido.

Então, com a desculpa de estar cansada demais para sair de casa a pé, entrou no carro dele. Tinha esquecido como era bom quando estavam juntos, mesmo que só como amigos. Como ele fazia as coisas parecerem mais fáceis. Ele colocou uma música no rádio do carro. Primeiro ela começou a cantar. Depois pensou que talvez aquela música linda que ela adorava, fosse uma indireta. Não era.

Os dois conversaram sobre todos os assuntos banais que podiam. O medo de que o silêncio pudesse trazer à tona as lembranças do passado e as questões não resolvidas entre eles, era maior do que qualquer coisa. Talvez dessa vez seja diferente. Talvez ele tenha mudado, ela pensou. Não tinha. Eles eram os mesmos de anos atrás, e nada pode ser consertado quando tudo fica como está. Ela logo se lembrou disso, ufa. Se lembrou de tudo que já tinha sofrido por aquele cara e que tinha decidido dar um basta em tudo. Se lembrou de como foi difícil e doloroso tomar a decisão de ficar longe dele. Difícil demais pra ele querer chegar de mansinho assim e estragar meses de tranquilidade e amor-próprio.

Na volta, ele disse: "Bom...chegamos. Você ainda mora aqui né?" Ela deu uma risada amarga, dessas que até doem de tanto que custam a sair em meio ao nó na garganta, e respondeu: "Claro." Ele apertou o volante. E ficou esperando. Esperando que ela se inclinasse e o beijasse, exatamente como fez da última vez que a levou em casa. Ela tirou a chave do bolso, abriu a porta do carro, e esperou. Talvez ele a puxasse pelo braço e dissesse tudo o que ela precisava ouvir. Não disse. Ela ia embora. Sabe-se lá quando eles iam se ver de novo e ela ia embora. E ele a estava deixando ir embora. "Faça alguma coisa, seu idiota.", foi o que ele pensou. Ela também pensou a mesma coisa, com o coração muito mais apertado que o dele.

"Então, tchau." E saiu do carro. Olhando pela janela, ainda agradeceu pela carona e deu mais um sorriso amargo, tentando fingir que estava tudo bem e que eles eram apenas bons amigos. Ele continuou olhando para frente, não queria encará-la. Não queria lembrar como era aquele sorriso, tão cheio de melancolia, que ela sempre tinha quando se despediam. "Tchau." E pisou no acelerador, deixando-a pensando que ele era o babaca que parecia ser.

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17.7.13


No meio do amor tinha uma pedra

2

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Ele olha pra mim e eu me sinto bem e feliz. Você olhava pra mim e minha pernas tremiam, meu rosto corava e o coração quase saltava pela boca. Perdia o rumo dos pensamentos, das palavras, do caminho, perdia o rumo, enfim. Era assim, e eu me lembro muito bem.

Parece que nunca vou conseguir sentir por ninguém o que eu sentia por você. Talvez eu sinta algo melhor, talvez algum dia eu tenha um relacionamento de verdade ou um amor puro e lindo. Talvez um dia eu seja a protagonista da comédia romântica mais fofa de todas. Mas nada vai me tirar a saudade que eu sinto do que eu sentia por você. Veja bem, eu não sinto a sua falta. Eu sinto falta do que nós tínhamos, uma conexão que eu achava muito valiosa para ser desperdiçada, e por isso esgotei toda a minha energia insistindo em uma história que você nunca fez a menor questão de que tivesse um final feliz. Acho que me enganei. Uma pena. Uma perca de tempo.

E mesmo admitindo que, quando olho pra trás ainda sinto saudades de tudo - do modo como nós nos entendíamos só com um olhar, ou como você adivinhava o que eu ia dizer antes mesmo que eu pudesse formular a frase na minha cabeça, ou até os nossos signos que diziam que podíamos ter sido um casal perfeito, podíamos - mesmo admitindo tudo isso, admito ainda mais alto que estou bem melhor agora. Mais feliz, mais disposta, mais viva. Porque já não gasto mais tanto tempo, energia e coração com alguém que nem sequer olha para trás pra saber se não tropecei numa dessas pedras da vida, que ficam no meio do caminho.

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17.5.13


Despedida

4

Sabe aquela sensação de que nada vai ser como era antes, nunca mais? Pois é. Só que ainda não se decidi se isso é bom ou ruim. É sempre assim quando algo bom termina. Dá uma alegria e ansiedade enorme de começar coisas novas, de viver e ser livre. Mas também dá um aperto e angústia inexplicável. Como se a gente hesitasse entre não ir embora nunca ou fugir correndo de uma vez. Ou como quando a gente termina de ler um livro, mas não consegue sair da história. Uma angústia. Uma vontade de começar o livro todo de novo, mesmo tendo outros para ler. Outros mundos a descobrir.

Não é nem saudade, é medo. Medo de não ser capaz de seguir sozinha, medo do desconhecido, medo de sentir tanta falta do que passou que isso impeça de seguirmos em frente. É por isso que eu odeio despedidas.

Geralmente eu não me despeço. Saio de mansinho, sem avisar. E sempre tenho que escutar alguém perguntar porque eu tô "sumida". É, eu sou medrosa mesmo. Não quero que as pessoas saibam da minha fragilidade, então evito qualquer situação que exija um pouquinho de delicadeza ou sensibilidade. Antipática, é o que dizem. Grossa, chata, irritante. Coitada, acha que engana alguém com essas máscaras de durona.

Mas dessa vez eu quis a despedida, sabe? Por mais que doa e sufoque, eu quis. Afinal, era a última vez. Sem replay ou flashback. E como resistir a tentação de se agarrar ao último momento até que ele escorra entre os dedos? É horrível isso que a vida faz. Faz com que as pessoas, para seguirem em frente, precisem seguir caminhos opostos. Faz a gente ter que escolher entre duas coisas que provavelmente nos fariam bem. Droga. Será que não dava pra ter tudo sem abrir mão de nada?

Eu queria o mundo e tudo que há nele. E se para viver eu tinha que me soltar dos seus braços...

Adeus, amor.

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13.5.13


Monomania

3

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Eu queria te encontrar hoje. Te contar tudo o que tem acontecido na minha vida, te falar de mim e falar de nós. Ou só ouvir sua voz mesmo. Queria que você percebesse como eu mudei. Como estou mais inteira, mais viva sem você. Ou só sentir seu cheiro mesmo.

Queria poder te procurar a qualquer instante e dizer que sinto a sua falta, que te quero. Sem precisar ter a preocupação das consequências que isso iria gerar. Enfim, que acabasse o medo de sofrer. Porque afinal, nesse meu sonho, você não me faria sofrer. Você nunca teria me feito sofrer.

Queria pensar em como seria nós dois, se tivesse dado certo. Queria sonhar com você, ou trazer o sonho pra realidade. Queria não ter mais medo e queria que tudo fosse mais leve entre a gente. E que não fosse tão complicado assim. Essa coisa que há, que se arrasta e nos agarra, e nos desespera. E me deixa fraca e pesada. Queria que não tivesse mais dramas. Menos drama e mais amor, por favor.

Eu queria mesmo, meu bem, aparecer feliz e radiante na sua frente. E que você soubesse que não preciso de você e que estou melhor sozinha. Ou que encontrei outro amor, que seja. Queria olhar nos seus olhos com a determinação e a frieza de quem não está nem aí. E no meio do meu fingimento passar a acreditar nas minhas próprias mentiras. Porque sim, são mentiras. Não tô nada bem e você não está aqui. Não tô nada bem porque você não está aqui.

Mas sabe o que eu mais queria? Que esse texto não fosse pra você. Como todos os outros. Droga.

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22.4.13


Ferida de amor não dói?

7

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Eu tenho essa necessidade meio louca - e até absurda - de expressar o que eu sinto com um papel  e uma caneta, simplesmente por não conseguir verbalizar porra nenhuma do que há dentro de mim. Vivo me perdendo entre o vazio de não amar ninguém e o caos dos amores impossíveis. Porque não gostar de alguém significa um buraco enorme no peito, um coração implorando por qualquer amor vagabundo ou paixão bandida. Qualquer coisa. Mas que faça sentir. Mesmo que faça sofrer.

É quando ele se lembra que tinha ele na parada, há algum tempo. Tinha ele no passado. E ele me fez sentir. E esse mesmo coração começa a remexer no que passou, remoendo sentimentos só pra ter por que chorar, só pra morrer de amor mais uma vez.

Como se eu tivesse juntado todas as tralhas  velhas de uma história e jogado em uma gaveta qualquer, por não ter mais espaço em nenhum outro lugar e por não ter coragem de jogar fora definitivamente, e de tempos em tempos precisasse abrir a gaveta e bagunçar tudo de novo. E olhar as fotos antigas, e reler as cartas amassadas, e acabar com uma garrafa de vinho ouvindo todas as músicas que me lembravam dele.

Desconfio que o tempo não cure merda nenhuma. A ferida cicatriza só o suficiente para que a gente - com essa mania insuportável de dramatizar sentimentos e ser masoquista - possa arrancar a casquinha com a unha, até sangrar mais. E a gente continua fazendo isso, até aparecer outra pessoa que nos faça esquecer completamente desse machucado que, aí sim, cicatriza.

Até que essa outra pessoa também vai embora e deixa outra ferida maior do que o mundo, aparentemente incurável. Mas relaxa, porque cura sim. Ou isso ou a gente se acostuma com a dor.

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25.3.13


Amor pra recomeçar

5

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Engraçado é perceber que não preciso mais evitar de ouvir a sua banda favorita, porque isso não me traz mais nenhuma angústia ou tristeza. Porque eu não te comparo mais com o vocalista, e nem te acho tão bonito quanto ele. Engraçado é não me identificar com cada música de amor, de qualquer banda ou gênero, porque eu achava um saco ter que admitir que uma música sertaneja "de corno", como eu dizia, descrevia perfeitamente como eu me sentia. E mais engraçado ainda, é como as músicas marcam as fases da vida da gente. Fases que passam.

Eu deixei de ouvir muitas canções por sua causa, sabe? Havia uma ou duas músicas de amor que me faziam lembrar de cada momento feliz ao seu lado, o que tornava o momento presente muito doloroso. O momento presente, passado. Mas engraçado mesmo, é notar que tudo isso, toda essa bobagem, passou. E que eu não espero te ver de novo, e que você desistiu de mim, assim como eu desisti de te esperar. Acabou. Passou. Já foi, já era. Fim.


E apesar de eu ainda me lembrar no nosso abraço de despedida e estar plenamente consciente de que ele aconteceu apenas há alguns meses, eu tenho a maravilhosa sensação de que se passaram anos. De que o futuro me espera, e ele não inclui você. De que já estou vivendo o futuro. E traçando meu caminho, seguindo a minha vida e essas coisas que as pessoas precisam fazer quando um relacionamento acaba. Exceto pela parte do "a fila anda". Não andou. Ainda. Meu coração não está desocupado porque meu amor por você ainda ocupa um canto escuro, quase invisível dentro dele, que eu insisto em ignorar. E vai ser assim, até nunca.

Até alguém chegar e fazer da minha vida um vendaval de emoções outra vez. Alguém diferente de você, alguém especial. Alguém que valorize o que há de mais puro no amor. Alguém que me faça sorrir, e só sorrir. Sem lágrimas, sem ciúmes, sem angústias, sem gritos, sem dramas. Só amor.

12.3.13


O nome dele

6





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Ela estava acostumada com a solidão. Afinal, sempre fora muito tímida. E a timidez é um caminho rápido para o isolamento. Era tão mais cômodo não ter que se esforçar para fazer amigos. Mais fácil se contentar em ser a sua própria companhia. Mas ultimamente, ela andava sentindo a necessidade de sair de dentro de si mesma e sentir como é lindo o mundo lá fora, e quantas pessoas legais e interessantes existem por aí. E isso requer coragem, sabe? Requer perder o medo de se mostrar.

Porém, o motivo que realmente a fez decidir dar um basta na timidez, foi que ela se apaixonou. Ah, o amor! Aconteceu de repente e à primeira vista. Ela gostava muito de imaginar como seria a sua primeira conversa com aquele moço bonito. E qual seria o seu nome? Talvez um nome angelical, como Miguel. Ou forte, como Heitor. Ou seria nome de galã de cinema, como John ou James?

Um dia, ela finalmente tomou coragem e perguntou o nome do rapaz.
- É Wellerson, ele respondeu sorrindo. E então ela percebeu, que apesar do nome horrível, valeu a pena ter vencido a timidez pelo moço de sorriso tão bonito.

PS.: Mil desculpas a você que se chama Wellerson - ou qualquer coisa parecida. Aposto que tem um sorriso lindo. 

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6.3.13


Tem que saber recomeçar

6

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A gente sempre se ilude ao pensar que ainda vai dar tudo certo no final. Mas eu parei. Parei de pensar que vai chegar um dia no qual vamos ficar juntos, porque não vai. A vida não é uma comédia romântica com final feliz, e isso você me ensinou direitinho. Me fez desacreditar do amor puro e verdadeiro e me mostrou que o mundo é doentio e traiçoeiro. Obrigada. Por ter me deixado um pouco mais fria e menos ingênua. Você não foi um completo inútil, afinal.

De qualquer forma, tô aprendendo a ficar de pé outra vez. Sozinha. Eu sempre aprendo. Porque uma simples paixonite me arrasa e me destrói completamente por alguns dias, só pra depois eu poder ter forças pra recomeçar em algum outro canto qualquer, feliz e pronta para um novo amor. Mesmo que eu vá sofrer, não importa. Eu sempre recomeço inteira de novo. De novo e de novo, porque a vida é assim, feita de recomeços.

Então não pense que você foi especial. Não foi. Você foi só uma paixão que passou feito furacão e me fez endurecer mais e confiar menos. Mas sem perder a capacidade de me apaixonar, quantas vezes for preciso. Porque agora eu só preciso me lavar de toda essa nossa história suja e sentir, pelo menos uma vez, a leveza que pode ser o amor.



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18.2.13


Sobre amor e hipocrisia

10

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Tem gente que parece que tem necessidade de namorar. Mas as pessoas namoram quando estão apaixonadas, certo? Errado. É assim que deveria ser, é claro. Mas nem sempre é assim que é.

Parece que o que as pessoas querem mesmo é preencher o vazio de ser um só, e não um par. E fugir da cobrança da sociedade que vem em forma de perguntas como: "E os namoradinhos?", seja da sua tia gorda ou não. Ou isso, ou simplesmente querem alterar o status do facebook
para "em um relacionamento sério". Me poupem.

Em um mundo em que se preocupam mais com status e aparência do que com sentimentos, é meio raro achar um casal que se ame. E eu tô falando de amor verdadeiro. Tem gente que confunde atração com amor, interesse com atração, amizade com paixão. Daí começa um relacionamento, muda o status do facebook, compra aliança de compromisso, chama o outro de 'amorzinho'. Isso tudo pra quê? Para esfregar na cara da sociedade um rótulo de "eu tenho namorado"? Qual a vantagem, sério? Porque eu tô cansada de ver homem comprometido que arrasta asa pra metade da população feminina e corna que se faz de burra e aceita o chifre só para "manter as aparências". É muita hipocrisia pra pouco amor.

Dá vontade de chacoalhar a fulaninha até ela acordar pra vida e perceber que a única coisa com a qual ela deveria se preocupar é com ela mesma, e a única coisa na qual ela deveria acreditar é no ditado que diz "antes só do que mal acompanhada". Aliás, esse devia ser o lema de vida de qualquer mulher. Porque cá pra nós, eu sei muito bem respirar sozinha. E não preciso de ninguém pra ser completa.

Agora, mudando de assunto. Digamos que você  gosta do cara (ou da menina), mas não o ama, muito menos está apaixonada(o). Mas você quer muito namorar já que todas as suas amigas namoram e tal, e você está cansada de ficar sozinha. Afinal, "o amor vem com o tempo, né?" Não! O amor não vem com o tempo, seus idiotas. Muito menos surge do nada. Amor nada mais é do que o fruto da paixão. E paixão é aquele sentimento que chega de repente, quando você menos espera, faz seu coração bater mais rápido e vira sua vida de cabeça pra baixo. E te deixa a-pai-xo-na-da.

Isso é paixão.

O amor é o sentimento que dá lugar a paixão, ou se acrescenta a ela. Ou seja, para amar você tem que estar apaixonado(a). Então não adianta tentar me convencer com o discurso de que "amor vem com o tempo", porque não vai rolar. A não ser que você seja obrigada a se casar com um pretendente que seus pais escolheram. Aí sim, minha filha. Aí é até melhor você acreditar que vai aprender a amar o cara, para o seu bem.

Mas na prática, amor não se ensina e não se força, ninguém aprende a amar ninguém. A gente simplesmente ama - muitas vezes a pessoa errada -, porque o amor não precisa de explicação, muito menos de fingimento.

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4.2.13


Sozinha é melhor

8

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De repente a gente se encontra. De repente a gente se olha. E de repente havia alguma coisa no ar.     Como é possível que depois de tanto tempo, ainda exista sentimento entre nós? Ou química, sei lá. Chame do que quiser, mas definitivamente havia alguma coisa ali.

E eu fiquei me perguntando quantas vezes eu teria que te esquecer, só pra você reaparecer de novo, sorrindo para mim como se nada tivesse mudado e destruindo completamente meu mundo. Outra vez. Por quanto tempo eu seria capaz de continuar fingindo que nossa história virou passado? É, porque é isso que eu digo pra todo mundo. Pena que por dentro e por tanto tempo, eu esteja assim tão destruída. E tão apaixonada. Por você. Ainda. Droga.

E eu fico me agarrando a cada sensação que você me faz sentir quando surge assim do nada, como se isso fosse te impedir de partir de novo. Mas não impede. Nunca impediu. Você sempre vai, e sempre volta. Acho que é justamente esse seu desprendimento que me prende tanto. Ou talvez seja a sua mania insuportável de me mandar mensagem bêbado de madrugada e o fato de eu sempre responder. Eu não consigo evitar, sabe? É como se eu precisasse de você por perto. Só que eu não preciso. Não mesmo. Nunca precisei.

É uma pena que esse meu coração idiota tenha uma pequena dificuldade em assimilar essa informação. Por isso o ignorei. Ignorei meu coração. Ignorei você. Porque meu cérebro é esperto e sabe muito bem que, na verdade, eu fico muito melhor sozinha.

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3.2.13


Carta a quem um dia me amou

5

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Eu sou complicada, admito. O problema é que não tenho nada de perfeitinha. Sou impulsiva, estúpida e extremamente egoísta. Mas você sabia disso. Quis me conquistar pelo desafio e acabou se apaixonando. Mesmo sabendo que eu não sou do tipo que se deixa levar. Eu te avisei.

Erro meu foi achar que podia cair fora depois de tudo que passamos juntos. Erro seu foi achar que podia domar meu coração, erro seu foi achar que todo o meu sarcasmo era só uma tentativa de esconder meus sentimentos por você. Pena que eu nunca tive sentimentos por você. E eu nem me dei ao trabalho de me explicar. Simplesmente te ignorei. Tanto faz.

Há quem pense que esse meu jeito insensível e até um pouco canalha é fruto de uma série de decepções amorosas. Engana-se. Eu sou assim por que sou. Não preciso sofrer para saber como é. E me sinto extremamente entediada com tudo que tenho ou posso ter facilmente. É que tenho paixão por coisas impossíveis e situações improváveis. E tudo que fica ao meu alcance, automaticamente perde a graça.

E não me orgulho de ser assim, tenha certeza disso. Não me orgulho de não me importar, de não me apegar. De afastar as pessoas com esse meu "lado negro" simplesmente por não conseguir entregar o meu melhor a quem realmente merece. E você merecia.

21.1.13


Sobre a merda que é o amor

0

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Porque é que eu me sinto tão insegura com você? Como se você pudesse me destruir inteira só de se aproximar? E você sabe que pode.

Contigo eu me desarmo e quase gosto dessa dor que me atinge. Eu nunca tive a parte boa do amor. Eu diria até que tô acostumada, pra mim sempre foi tristeza, solidão e desespero. Nunca gostei de alguém que realmente gostasse de mim. Nunca me senti bem por estar apaixonada. Nunca pude te chamar de "meu". Foram dragões no meu estômago, e não borboletas.

Como é que o amor pode ser tão maravilhoso para todo mundo, menos pra mim? Olhar nos seus olhos me faz querer sumir e ficar com medo de mim mesma e desse sentimento louco.

Mas talvez o problema não seja eu. E um simples sentimento não pode ser assim tão cruel. Cruel é você. Que percebe a paz  e a tranquilidade da minha vida longe de ti e sempre volta para bagunçar tudo outra vez. Porque você sabe que eu nunca gostei de tranquilidade.

Talvez o problema do amor comigo seja só você. O meu maior problema, e ao mesmo tempo minha única solução.


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8.12.12


Amigos, amigos; amor à parte

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- Engraçado, mas eu não era assim tão obcecada por novas mensagens de texto. Eu não era assim antes de você. Eu não achava tudo "fofo", eu não terminava frases com "awn *-*". Nunca fui de chorar em comédias românticas, mas agora...Peraí. Se é comédia não devia fazer a gente chorar. Só se eu estiver...Não, não. Não aquela palavra com "A".

Olha, eu até gosto de você um pouquinho. Talvez mais do que um pouquinho, vai. Você é legal. E bonito. E inteligente. E sexy. E me faz rir com esse seu jeito distraído-meio-que-de-propósito. Ou com esse seu jeito manso de falar, esse ar de quem não está nem aí pra nada que desaparece quando me vê, como se eu fosse a única coisa que te interessa. Ah tá.

Mas é só, entendeu? Eu posso até te chamar de amor ou de meu bem em algum momento de distração, mas ignore. Ignore o fato de eu ficar vermelha quando você me olha daquele jeito. Esqueça que te liguei com saudades ontem de madrugada.

É só a gente fingir que não surgiu nenhum sentimento muito forte nesse lance de amizade colorida. Entendeu? Só porque a gente passa muito tempo pensando um no outro, não quer dizer que as coisas estão saindo do controle, certo? Ok. Já que está tudo esclarecido, eu vou indo e...

- Ei, volta aqui...Eu não acredito em você. Fala a verdade, vai.

- Ah, quer saber? Que se dane, eu te amo!

Opa.


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24.11.12


Só por hoje

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Hoje eu sonhei que a gente era um casal. Estranho né? A gente se gosta demais para um dia chegar a isso. Dá medo só de pensar nessa hipótese. Mas no sonho a gente até que era feliz. Não um casal qualquer, um casal apaixonado. Com direito a demonstrações de carinho em público e tudo. Dois pombinhos. E, tenho que admitir, até que gostei de ser sua namorada.

Fiquei imaginando, e se fosse verdade? Eu seria sua, você seria meu. Eu seria a garota que escreveria nossos nomes na última página do caderno e você seria o cara que gravaria nossas iniciais no tronco de uma árvore. Faríamos juras de amor eterno, nos beijaríamos à luz do luar depois de tentar contar as estrelas e você tocaria no seu violão alguma música que compôs para mim. Olha só, que surreal. Você nem ao menos toca violão!

Mas confesso que, só por hoje, eu queria te ter só pra mim. Só por hoje, queria te chamar pra ver um filme e ficaríamos deitados no sofá, falando besteiras. Só por hoje, queria olhar nos seus olhos e dizer que te amo.

Ainda bem que daqui a pouco essa vontade passa. Ainda bem que é só por hoje.


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12.11.12


Menos uma

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Não gosto de você como antes. Sinto muito te informar isso assim, desse meu jeito duro e simplificado demais, talvez até insensível. Mas é que você precisa saber.

Eu preciso te falar sobre o quanto já gostei de você. E olha, não foi pouco não, viu? Meu coração disparava freneticamente quando detectava a sua presença e ao mesmo tempo eu sentia minha pele enrubescer e uma agitação inconveniente e estranha no estômago. Você já sentiu isso por alguém? Você já sentiu isso por mim?

Se antes eu criava diálogos e situações impossíveis com você e passava 99% do meu tempo pensando em nós dois, hoje eu não tenho tais sintomas e passo esse mesmo tempo pensando em mim.

Durante muito tempo eu fui sua, sim. Te esperei e fui paciente. Me doei inteira, mas só recebi migalhas. E agora você chega assim, de repente e atrasado demais e eu te digo que não dá mais tempo de voltar atrás. Mania boba de mulher, essa de se doar. Mania besta de homem, essa de chegar sempre tarde demais.

O problema - o seu problema - foi que você percebeu esse meu súbito desinteresse. Ou talvez tenha sido um gradual desinteresse, fruto de algumas mentiras sem desculpas e regado a uma boa dose de desilusão. Você finge se preocupar comigo, mas se preocupa só com o seu ego. Se preocupa em ter perdido, em ser substituído. E perdeu, perdeu mais uma que poderia te fazer feliz. Mais uma que se cansou das usas promessas impossíveis, dos seus joguinhos de sedução barata. Mais uma, meu bem.

Ou melhor, menos uma pra você.


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21.10.12


Decide ou desiste

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A gente precisa conversar, ele disse. Concordei. Mas como dizer todas aquelas frases ensaiadas milhares de vezes, porém nunca ditas? Como olhar no olho do outro e expor o que é preciso? Tínhamos tanto a dizer, mas as palavras não saíam, mal podiam ser formuladas. O nó na garganta foi ficando maior.

Tá certo que o medo nos dominou, mais uma vez. Mais de uma vez. Passei a vez para você. Vai, se decida. Se não se decidir, meu bem, eu vou desistir.

Mesmo querendo me agarrar com todas as forças nessa história maluca, mesmo querendo me agarrar a você. Mas quando tudo dá errado, quando tudo parece ir no sentido contrário do que a gente queria, talvez seja porque é melhor assim.

Deixa o que deu e continua dando errado para trás. Desiste de consertar o que não tem conserto. Não insiste demais, não. Acabou. Tem coisa que não dá pra refazer, tem coisa que não dá pra ignorar.

Desiste de mim, amor, porque eu vou desistir de nós.

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19.10.12


Sair de cena

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Se a gente tivesse certeza do que sentimos e, sobretudo, coragem para falar sobre isso, tudo teria sido diferente. Se você não tivesse fugido de mim. Ou se eu não tivesse tanto medo. Se não houvesse tantos motivos para dar tudo errado. Se não tivessem tantas dúvidas no meio do caminho. Se você tivesse ido atrás de mim e dito o que sentia, ou só mesmo o que eu precisava ouvir... Podíamos ter vivido um grande amor.

Se, se, se... Mas nada disso aconteceu. A gente preferiu fugir dessa rota arriscada, dos caminhos embaraçados e embaraçosos do amor. É tão mais fácil desistir. Se entregar é para os fortes, coisa de gente corajosa. E somos uns covardes, sim, e você sabe disso.

Seria simples simplificar tudo e pular logo para a parte em que ficamos juntos e vivemos felizes para sempre, se é que existe um final feliz para nós. Mas até lá, há um enredo inteiro, uma história longa e desgastante, tipo novela  em que dá tudo errado, que quase mata a gente de raiva e tudo só melhora e se acerta no último capítulo. Ou nada se acerta, já que nessa trama, a mocinha cansou do drama e está com uma vontade enorme de sair de cena, entregar o jogo para a vilã, rasgar o roteiro e se aposentar.

Talvez vida de figurante seja mais fácil.

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21.9.12


Amores Interrompidos

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"A frase tinha parado na vírgula, faltava completar, havia reticências..." (Autor Desconhecido)

Amores são interrompidos facilmente, na maioria das vezes. Um amor interrompido é aquele que deixa no ar várias dúvidas, é quando a história para na vírgula ou termina em reticências. É quando um término de namoro pode virar uma reconciliação. É o famoso "vamos dar um tempo?". É a separação de um casal que não quer ser separado, seja pela distância, pelo orgulho ou por terceiras pessoas. Ou então quando um dos dois deixa de tomar alguma atitude ou de dizer alguma coisa que realmente precisava ser dita.

Interrupções são mesmo uma droga, não é? Mas podem ser evitadas. Basta a coragem necessária de seguir o coração. De ir atrás de quem se ama, não importando as consequências. De abandonar de vez o orgulho e o medo de ser feliz - que vem junto com medo de sofrer. Coragem de deixar um relacionamento que não dá mais certo para trás e seguir em frente.

Gente apaixonada requer atitudes desesperadas e impensadas. Então não pense. Faça. Diga. Não interrompa e nem sabote a sua própria história de amor. Deixe que termine. Deixe que comece. Mas não deixe inacabado.


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