Sabe aquela sensação de que nada vai ser como era antes, nunca mais? Pois é. Só que ainda não se decidi se isso é bom ou ruim. É sempre assim quando algo bom termina. Dá uma alegria e ansiedade enorme de começar coisas novas, de viver e ser livre. Mas também dá um aperto e angústia inexplicável. Como se a gente hesitasse entre não ir embora nunca ou fugir correndo de uma vez. Ou como quando a gente termina de ler um livro, mas não consegue sair da história. Uma angústia. Uma vontade de começar o livro todo de novo, mesmo tendo outros para ler. Outros mundos a descobrir.
Não é nem saudade, é medo. Medo de não ser capaz de seguir sozinha, medo do desconhecido, medo de sentir tanta falta do que passou que isso impeça de seguirmos em frente. É por isso que eu odeio despedidas.
Geralmente eu não me despeço. Saio de mansinho, sem avisar. E sempre tenho que escutar alguém perguntar porque eu tô "sumida". É, eu sou medrosa mesmo. Não quero que as pessoas saibam da minha fragilidade, então evito qualquer situação que exija um pouquinho de delicadeza ou sensibilidade. Antipática, é o que dizem. Grossa, chata, irritante. Coitada, acha que engana alguém com essas máscaras de durona.
Mas dessa vez eu quis a despedida, sabe? Por mais que doa e sufoque, eu quis. Afinal, era a última vez. Sem replay ou flashback. E como resistir a tentação de se agarrar ao último momento até que ele escorra entre os dedos? É horrível isso que a vida faz. Faz com que as pessoas, para seguirem em frente, precisem seguir caminhos opostos. Faz a gente ter que escolher entre duas coisas que provavelmente nos fariam bem. Droga. Será que não dava pra ter tudo sem abrir mão de nada?
Eu queria o mundo e tudo que há nele. E se para viver eu tinha que me soltar dos seus braços...
Adeus, amor.
















